O Medo
O ser humano é acostumado a sentir medo. Temos esse sentimento quase que constantemente e é justamente um dos fatores que mais nos afasta da Divindade e nos impede de termos fé.
Vamos analisar juntos essa questão. Do que você têm medo? Da violência? muito provável. De não ter como sustentar as suas famílias? Também. De não conseguir em emprego, passar no vestibular ou, quem sabe, de levar um fora daquela pessoa que faz o teu coração bater mais forte? Sim, é outra fonte de medo.
Mas não podemos parar por aqui, pois podemos analisar muito mais em nossas vidas. Quem não tem medo do que as outras pessoas acham de si? E, justamente por isso, acabam criando máscaras que, hora ou outra, caem para que a verdade seja revelada.
Quem nunca teve medo de não ser aceito em um grupo, e, por isso, preferiu se isolar em algum canto perdendo a grande oportunidade de fazer amigos? Quem nunca teve medo de conversar com uma menina (ou menino) numa festa e, por isso, acabou tendo de ir embora horas mais tarde sem ter conhecido a tal pessoa?
Vamos analisar outra grande fonte de medos: nossa vida financeira. E é justamente essa área uma das que mais prejudica a humanidade como um todo. Ter pouco dinheiro nos dá medo, pois acabamos preocupados com as contas que temos de pagar no finaldo mês, na comida que precisamos comprar no supermercado, nas coisas que queremos comprar, etc. Paradoxalmente, o excesso também traz receios de sequestros, roubos, das pessoas se aproximarem da gente por interesse e por aí vai.
O ladrão que rouba o tênis na rua está com medo de não ser aceito pelo seu grupo social, pois a publicidade diz que uma pessoa sem tal "pisante" nos pés é menos do que a outra. Ou, até mesmo, tem medo de não conseguir manter seu vício ou comprar comida.
O estuprador tem medo da rejeição que as mulheres podem ter por ele. O pedófilo, medo de falhar durante uma relação sexual com alguém que pode dizer não. O traficante vive com medo da polícia, da comunidade onde mora e dos outros traficantes e, por isso mesmo, se torna violento. A pessoa que sai por aí espalhando mentiras sobre os outros tem medo de ser esquecida pelos amigos e vizinhos, medo de que os outros descubram suas fraquezas e hipocrisia.
O homem que bate e trai a mulher tem medo de ser visto como fraco. E a mulher que aceita isso tem medo de ser uma solteirona. O pai que espanca o filho tem medo de que ele possa se tornar uma pessoa ruim, nem que para isso esteja dando um mau exemplo que vai acabar tornando a criança um monstro igual a ele.
Quando o pastor evangélico taxa os afro-religiosos de "seguidores do demônio", ele está apenas exteriorizando o seu medo por uma crença diferente ou de perder o fiel. O caminho inverso também é verdadeiro: espíritas, umbandistas e afro-religiosos também podem ser preconceituosos, intolerantes e medrosos.
Não estou aqui querendo justificar esses crimes, nem o dano causado pelos criminosos. Muito menos quero que a misericórida por esses "medrosos" seja maior do que a punição para essas monstruosidades cometidas pelo ser humano. Minha intenção é ressaltar um ponto de vista: o medo é mais prejudicial para a humanidade do que parece.
Simplesmente porque o medo é pai do ódio. Quando a humanidade aceitava a escravidão, o medo do diferente (no caso, pessoas com pele escura) se torna ódio: o preconceito racial. Dessa forma, centenas de "estudiosos" inventaram meios de justificar barbaridades cometidas contra negros, indígenas ou "selvagens".
Eu poderia continuar por muito tempo com os exemplos, mas creio que já deu para reforçar meu ponto de vista. Analise dentro do si quais são os seus medos e onde eles prejudicam a sua vida e até mesmo a dos outros. Não se engane: o que levamos dentro de nós afeta as pessoas em nossa volta de maneira significativa.
