O fim do mundo e o Novo Homem (parte 1)
Muito se fala do apocalipse, do fim do mundo ou final dos tempos. Todas as crenças conhecidas possuem sua própria mitologia para a criação do cosmos e o seu respectivo término. Algumas acreditam em uma destruição total da vida humana, outras, que representa apenas uma passagem, uma purificação espiritual para que possamos adentrar na nova era renovados.
Como umbandista, minha crença religiosa é a segunda hipótese. Não posso acreditar na aniquilação total da Terra por um motivo bem básico: se Deus é perfeito, sua criação também é. A partir do momento em que acredito na destruição do planeta, passo a crer que Deus errou, portanto, Ele se torna passível de erro e perde a sua perfeição.
Dentro da Umbanda e do espiritismo, acreditamos que o final dos tempos representa uma época de transição de nível vibracional do planeta. Existem basicamente cinco tipos de mundos habitados: primitivos, de expiações e provas, de regeneração, felizes e divinos.
"* Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações do Espírito. São os mundos formados há menos tempo. Neles se encontram todos os seres nas suas fases iniciais de progresso.
* Mundos de expiação e provas, onde domina o mal entre os Espíritos. Nesses mundos, algumas espécies animais já demonstram um certo grau de raciocínio e consciência. A exploração dos animais pelo ser humano e o desrespeito à natureza são preponderantes.
* Mundos de regeneração, nos quais os Espíritos que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. As demais espécies de seres vivos estão mais evoluídas e poucos são os seres humanos que as exploram para o trabalho ou para deles se alimentarem. É maior, também, o respeito pela natureza em geral.
* Mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal. Nesses mundos a exploração das espécies animais pelo ser humano e o desrespeito pela natureza são reduzidos.
* Mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. Todos os outros seres, nestes mundos, encontram-se no seu estágio final de desenvolvimento antes de passarem para o reino seguinte na escala evolutiva. Reinando somente o bem nesses mundos, a harmonia entre todos os seres é total."
O planeta Terra, orbe no qual vivemos, já deixou de ser um mundo primitivo, quando éramos "homens das cavernas" para estar, atualmente, dentro da segunda categoria. Isso quer dizer que os espíritos que aqui reencarnam possuem grandes dívidas cármicas para saldar, o que traz muita negatividade e sofrimento para toda a humanidade.
Contudo, a tempo de "expiações e provas" está chegando ao fim. A espiritualidade superior já autorizou que a Terra se transforme num mundo regenerador. Enquanto na categoria anterior nós necessitamos aprender através do sofrimento, aqui existe bem menos karma a ser resgatado, o que colabora para o desenvolvimento total do ser humano.
A partir do momento em que foi definida esta transição, começaram a reencarnar (ou encarnar) aqui na Terra milhares de seres das mais altas esferas espirituais com o intuito de ajudar na nossa evolução. Conhecidas como Crianças Índigo, Cristal ou Prata (por causa da cor de suas auras), esses homens e mulheres passaram a nascer em nosso planeta a partir da década de oitenta, mas as "descidas" aumentaram depois do final do milênio passado. (falarei mais sobre esses seres em uma coluna posterior)
Com a ajuda desses seres, os homens terão exemplos mais vívidos sobre a real maneira de sobrepujar o sofrimento e os desejos que nos prendem à matéria. No entanto, o livre-arbítrio, Lei Maior dentro da espiritualidade, não vai ser quebrado.
Uma grande parte da humanidade ainda está se apegando ferrenhamente a sentimentos e atitudes negativos. O ócio, rancor, inveja, egoísmo e maldade impera no coração da maioria dos seres humanos. Essa negatividade é, em parte, alimentada pelas energias poluídas que são liberadas na atmosfera terrestre pelo próprio homem, gerando uma "bola de neve" que dificilmente vai ser freada sem uma mudança radical no "terreno".
Justamente por causa dessa transição entre mundo de expiações e provas para regenerador, os seres humanos que não quiserem se adaptar não vão ser obrigados a fazê-lo. Sempre é bom lembrar: livre-arbítrio é o maior dom (e ao mesmo tempo uma maldição) que o Pai deu aos seus filhos. Não vai ser nessa hora que essa lei vai ser rompida.
Os espíritos que não quiserem se adaptar simplesmente vão ter de "sair da festa": conhecidos como degregados ou exilados, esses homens e mulheres continuarão suas evoluções em outro planeta já escolhido e pronto para recebê-los.
A própria terra, um dia, já recebeu centenas de milhares de espíritos vindos de um planeta que passou pelo mesmo processo que a Terra está passando agora, os Exilados de Capela.
Pare para pensar: as coisas não estão ficando cada vez mais rápidas? A própria terra está girando numa velocidade superior à registrada nos últimos séculos. Tudo isso para acelerar essa transição para que finalmente fiquem aqui apenas os espíritos interessados em evoluir dentro das leis da Caridade, Fraternidade e Amor Universal que o pai escreveu dentro do coração de cada um de nós.
Não existem "escolhidos" ou um "povo eleito por Deus". Todo mundo é filho do mesmo pai e a decisão da morada para as próximas encarnações se dá conforme o merecimento de cada um. O novo homem que vai surgir, um ser espiritual completo e pronto para assumir suas responsabilidades enquanto co-criador do cosmos pode ser de qualquer religião, raça, cor, gênero ou nível social.
Para finalizar: ficar na Terra ou ser exilado é pessoal e intransferível. Ninguém pode dar, roubar, pedir emprestado ou financiar esses "créditos" com seus amigos e parentes. Portanto, faça uma auto-análise muito profunda para ver se, atualmente, você merece ficar aqui ou ser levado para outro mundo (eu faço a minha e estou em cima do muro. Sei que preciso melhorar muita coisa em diversos aspectos para merecer continuar na grande família terráquea. Também tenho noção que, para me tornar o Novo Homem, vou precisar de muito mais força de vontade e amor no coração. Mas, quem sabe, talvez eu consiga permanecer com vocês...)
p.s.: essa coluna continua na semana que vem. O assunto é longo e se tornaria obscenamente grande para apenas um texto.

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