Wednesday, November 28, 2012
Tuesday, April 10, 2007
O fim do mundo e o Novo Homem (parte 1)
Muito se fala do apocalipse, do fim do mundo ou final dos tempos. Todas as crenças conhecidas possuem sua própria mitologia para a criação do cosmos e o seu respectivo término. Algumas acreditam em uma destruição total da vida humana, outras, que representa apenas uma passagem, uma purificação espiritual para que possamos adentrar na nova era renovados.
Como umbandista, minha crença religiosa é a segunda hipótese. Não posso acreditar na aniquilação total da Terra por um motivo bem básico: se Deus é perfeito, sua criação também é. A partir do momento em que acredito na destruição do planeta, passo a crer que Deus errou, portanto, Ele se torna passível de erro e perde a sua perfeição.
Dentro da Umbanda e do espiritismo, acreditamos que o final dos tempos representa uma época de transição de nível vibracional do planeta. Existem basicamente cinco tipos de mundos habitados: primitivos, de expiações e provas, de regeneração, felizes e divinos.
"* Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações do Espírito. São os mundos formados há menos tempo. Neles se encontram todos os seres nas suas fases iniciais de progresso.
* Mundos de expiação e provas, onde domina o mal entre os Espíritos. Nesses mundos, algumas espécies animais já demonstram um certo grau de raciocínio e consciência. A exploração dos animais pelo ser humano e o desrespeito à natureza são preponderantes.
* Mundos de regeneração, nos quais os Espíritos que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. As demais espécies de seres vivos estão mais evoluídas e poucos são os seres humanos que as exploram para o trabalho ou para deles se alimentarem. É maior, também, o respeito pela natureza em geral.
* Mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal. Nesses mundos a exploração das espécies animais pelo ser humano e o desrespeito pela natureza são reduzidos.
* Mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. Todos os outros seres, nestes mundos, encontram-se no seu estágio final de desenvolvimento antes de passarem para o reino seguinte na escala evolutiva. Reinando somente o bem nesses mundos, a harmonia entre todos os seres é total."
O planeta Terra, orbe no qual vivemos, já deixou de ser um mundo primitivo, quando éramos "homens das cavernas" para estar, atualmente, dentro da segunda categoria. Isso quer dizer que os espíritos que aqui reencarnam possuem grandes dívidas cármicas para saldar, o que traz muita negatividade e sofrimento para toda a humanidade.
Contudo, a tempo de "expiações e provas" está chegando ao fim. A espiritualidade superior já autorizou que a Terra se transforme num mundo regenerador. Enquanto na categoria anterior nós necessitamos aprender através do sofrimento, aqui existe bem menos karma a ser resgatado, o que colabora para o desenvolvimento total do ser humano.
A partir do momento em que foi definida esta transição, começaram a reencarnar (ou encarnar) aqui na Terra milhares de seres das mais altas esferas espirituais com o intuito de ajudar na nossa evolução. Conhecidas como Crianças Índigo, Cristal ou Prata (por causa da cor de suas auras), esses homens e mulheres passaram a nascer em nosso planeta a partir da década de oitenta, mas as "descidas" aumentaram depois do final do milênio passado. (falarei mais sobre esses seres em uma coluna posterior)
Com a ajuda desses seres, os homens terão exemplos mais vívidos sobre a real maneira de sobrepujar o sofrimento e os desejos que nos prendem à matéria. No entanto, o livre-arbítrio, Lei Maior dentro da espiritualidade, não vai ser quebrado.
Uma grande parte da humanidade ainda está se apegando ferrenhamente a sentimentos e atitudes negativos. O ócio, rancor, inveja, egoísmo e maldade impera no coração da maioria dos seres humanos. Essa negatividade é, em parte, alimentada pelas energias poluídas que são liberadas na atmosfera terrestre pelo próprio homem, gerando uma "bola de neve" que dificilmente vai ser freada sem uma mudança radical no "terreno".
Justamente por causa dessa transição entre mundo de expiações e provas para regenerador, os seres humanos que não quiserem se adaptar não vão ser obrigados a fazê-lo. Sempre é bom lembrar: livre-arbítrio é o maior dom (e ao mesmo tempo uma maldição) que o Pai deu aos seus filhos. Não vai ser nessa hora que essa lei vai ser rompida.
Os espíritos que não quiserem se adaptar simplesmente vão ter de "sair da festa": conhecidos como degregados ou exilados, esses homens e mulheres continuarão suas evoluções em outro planeta já escolhido e pronto para recebê-los.
A própria terra, um dia, já recebeu centenas de milhares de espíritos vindos de um planeta que passou pelo mesmo processo que a Terra está passando agora, os Exilados de Capela.
Pare para pensar: as coisas não estão ficando cada vez mais rápidas? A própria terra está girando numa velocidade superior à registrada nos últimos séculos. Tudo isso para acelerar essa transição para que finalmente fiquem aqui apenas os espíritos interessados em evoluir dentro das leis da Caridade, Fraternidade e Amor Universal que o pai escreveu dentro do coração de cada um de nós.
Não existem "escolhidos" ou um "povo eleito por Deus". Todo mundo é filho do mesmo pai e a decisão da morada para as próximas encarnações se dá conforme o merecimento de cada um. O novo homem que vai surgir, um ser espiritual completo e pronto para assumir suas responsabilidades enquanto co-criador do cosmos pode ser de qualquer religião, raça, cor, gênero ou nível social.
Para finalizar: ficar na Terra ou ser exilado é pessoal e intransferível. Ninguém pode dar, roubar, pedir emprestado ou financiar esses "créditos" com seus amigos e parentes. Portanto, faça uma auto-análise muito profunda para ver se, atualmente, você merece ficar aqui ou ser levado para outro mundo (eu faço a minha e estou em cima do muro. Sei que preciso melhorar muita coisa em diversos aspectos para merecer continuar na grande família terráquea. Também tenho noção que, para me tornar o Novo Homem, vou precisar de muito mais força de vontade e amor no coração. Mas, quem sabe, talvez eu consiga permanecer com vocês...)
p.s.: essa coluna continua na semana que vem. O assunto é longo e se tornaria obscenamente grande para apenas um texto.
Tuesday, March 20, 2007
O Medo
O ser humano é acostumado a sentir medo. Temos esse sentimento quase que constantemente e é justamente um dos fatores que mais nos afasta da Divindade e nos impede de termos fé.
Vamos analisar juntos essa questão. Do que você têm medo? Da violência? muito provável. De não ter como sustentar as suas famílias? Também. De não conseguir em emprego, passar no vestibular ou, quem sabe, de levar um fora daquela pessoa que faz o teu coração bater mais forte? Sim, é outra fonte de medo.
Mas não podemos parar por aqui, pois podemos analisar muito mais em nossas vidas. Quem não tem medo do que as outras pessoas acham de si? E, justamente por isso, acabam criando máscaras que, hora ou outra, caem para que a verdade seja revelada.
Quem nunca teve medo de não ser aceito em um grupo, e, por isso, preferiu se isolar em algum canto perdendo a grande oportunidade de fazer amigos? Quem nunca teve medo de conversar com uma menina (ou menino) numa festa e, por isso, acabou tendo de ir embora horas mais tarde sem ter conhecido a tal pessoa?
Vamos analisar outra grande fonte de medos: nossa vida financeira. E é justamente essa área uma das que mais prejudica a humanidade como um todo. Ter pouco dinheiro nos dá medo, pois acabamos preocupados com as contas que temos de pagar no finaldo mês, na comida que precisamos comprar no supermercado, nas coisas que queremos comprar, etc. Paradoxalmente, o excesso também traz receios de sequestros, roubos, das pessoas se aproximarem da gente por interesse e por aí vai.
O ladrão que rouba o tênis na rua está com medo de não ser aceito pelo seu grupo social, pois a publicidade diz que uma pessoa sem tal "pisante" nos pés é menos do que a outra. Ou, até mesmo, tem medo de não conseguir manter seu vício ou comprar comida.
O estuprador tem medo da rejeição que as mulheres podem ter por ele. O pedófilo, medo de falhar durante uma relação sexual com alguém que pode dizer não. O traficante vive com medo da polícia, da comunidade onde mora e dos outros traficantes e, por isso mesmo, se torna violento. A pessoa que sai por aí espalhando mentiras sobre os outros tem medo de ser esquecida pelos amigos e vizinhos, medo de que os outros descubram suas fraquezas e hipocrisia.
O homem que bate e trai a mulher tem medo de ser visto como fraco. E a mulher que aceita isso tem medo de ser uma solteirona. O pai que espanca o filho tem medo de que ele possa se tornar uma pessoa ruim, nem que para isso esteja dando um mau exemplo que vai acabar tornando a criança um monstro igual a ele.
Quando o pastor evangélico taxa os afro-religiosos de "seguidores do demônio", ele está apenas exteriorizando o seu medo por uma crença diferente ou de perder o fiel. O caminho inverso também é verdadeiro: espíritas, umbandistas e afro-religiosos também podem ser preconceituosos, intolerantes e medrosos.
Não estou aqui querendo justificar esses crimes, nem o dano causado pelos criminosos. Muito menos quero que a misericórida por esses "medrosos" seja maior do que a punição para essas monstruosidades cometidas pelo ser humano. Minha intenção é ressaltar um ponto de vista: o medo é mais prejudicial para a humanidade do que parece.
Simplesmente porque o medo é pai do ódio. Quando a humanidade aceitava a escravidão, o medo do diferente (no caso, pessoas com pele escura) se torna ódio: o preconceito racial. Dessa forma, centenas de "estudiosos" inventaram meios de justificar barbaridades cometidas contra negros, indígenas ou "selvagens".
Eu poderia continuar por muito tempo com os exemplos, mas creio que já deu para reforçar meu ponto de vista. Analise dentro do si quais são os seus medos e onde eles prejudicam a sua vida e até mesmo a dos outros. Não se engane: o que levamos dentro de nós afeta as pessoas em nossa volta de maneira significativa.
Wednesday, January 24, 2007
Até onde vai o fanatismo (ou Religiosificação)
O fato: o apostolo Stevan Hernandes e sua esposa, a bispa Sônia Hernandes, foram presos ao tentar entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil dólares, sendo que eles haviam declarado apenas US$ 10 mil ao fisco daquele país. Ao serem revistados, os valores em espécie foram achados dentro de roupas, malas e até mesmo dentro de uma bíblia em posse dos dois "religiosos".
Aqui no Brasil, ficamos sabendo de duas versões: a do advogado da família, Luiz Flávio Borges D'Urso, afirma categoricamente que tudo não passou de um mal entendido e que os dois pastores passaram por um "constrangimento injusto". Do outro, os seguidos relatórios emitidos pela justiça norte-americana que chegaram ao Brasil via embaixada contam que tanto apóstolo Stevam como a bispa Sônia mentiram ao declarar com quanto dinheiro em espécie portavam ao entrar nos EUA, crime passível de cadeia.
Deixando a discussão legal de lado, vamos analisar a questão religiosa. Pseudo-apóstolos, bispos mal intencionados, pais e mãos de santo enganadores, líderes religiosos que não põe na prática aquilo que pregam, etc., existem aos montes e, a cada dia que passa, novas denúncias chegam aos ouvidos do brasileiro através da imprensa.
Apesar disso, a religião é cada vez mais procurada pelo nosso povo. Na imensa maioria das vezes, o brasileiro simplesmente fecha os olhos e ouvidos para as denúncias que envolvem a sua crença e decoram os pormenores daquelas que são dirigidas contra a religiãoi alheia (sim, pimenta no olho dos outros continua sendo refresco).
A base desse ideário, de que líder religioso é um "ungido" pelo Senhor e não pode errar é a mesma base de onde saem os homens bomba palestinos: o fanatismo.
Com tantas misérias em sua vida, o brasileiro, esperançoso até o limite da razão, tem o costume de se apegar exageradamente a uma ideologia. Tendo uma vida difícil do ponto de vista financeiro e até mesmo cultural, a religião é um último baluarte onde o homem pode se agarrar para conseguir dar um motivo para a sua existência.
A fé, sendo um sentimento abstrato, exclui a lógica e a racionalidade. O homem de fé não precisa de provas para acreditar na ideologia que segue. Muito pelo contrário, os religiosos tendem a acreditar que toda forma de pensamento analítico-científico, contrário à sua crença, vem do demônio ou que, um dia, a ciência vai achar as mesmas respostas que a religião.
Dessa forma, por mais que existam provas cabais do envolvimento da família Hernandes com lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, cash smuggling, o que seja, a acusação vai ser imediatamente descartada pelos féis.
O fanatismo está no cerne dessa discussão. Ninguém nega que esse "torpor religioso", que põe em uma espécie de transe o pensamento racional dos fiéis, pode ser visto em toda e qualquer forma de religiosidade, principalmente aquelas baseadas nas culturas judaicas, cristã e muçulmana.
O grande problema é que fanáticos dão a vida pela causa, seja ela qual for. Da mesma forma que um árabe vai detonar um artefato explosivo amarrado ao próprio corpo, o fiél vai dar todo o dinheiro de possui, defender seus líderes e até mesmo brigar em decorrência de atritos religiosos.
Deus está acima das religiões. Ele se manifestou em todos os tempos, em todas as culturas. Veio até os judeus como o Messias, chamado de Jesus pelos cristãos. Foi até os hinduístas para falar com Arjuna, no Bhagavad Gita, falou com Sidarta Gautama, para que o budismo pudesse nascer no oriente. Se manifestou para Maomé, que fundou o islamismo.
Da mesma forma, os picaretas estão em toda as religiões. Ladrões, enganadores e falsários que se arvoram de "emissários" e "apóstolos" de Deus para enriquecer em termos de dinheiro e poder. E o pior de tudo isso é que esses sacanas sempre são pessoas com boa desenvoltura nos palcos, o que atrai milhares e milhares de fiéis que vão depositar as suas esperanças (e carteiras) em algo no qual acreditam ser certo,
Um fantástico, o fiél, não quer saber se a sua crença pode estar prejudicando milhares de outras pessoas, se o líder religioso que ele acredita ser um emissário divino não passa de um safado de marca maior: ele quer apenas ter a sua sede pelo sentimento religioso saciada. Da mesma forma que temos o conceito de "coisificação" vindo de Marcuse, Adorno e Luckas, onde o ser humano se transforma naquilo que compra, podemos cunhar o termo "religiosificação", onde o homem acaba virando aquilo no que ele acredita.
Quem passou pelo processo de "religiosificação" pode ser facilmente reconhecido por alguns pontos em comum:
1- "Eugenia" - sua crença é a única certa e apenas ela dá o direito a salvação. A imensa maioria dos outros religiosos somente poderá desfrutar do "céu" se forem convertidos, seja pela conversa ou pela força. Não existem meios termos, apenas dois lados muito bem distintos: o bom, da luz, da direita; ou o mal, das trevas, da esquerda. Detalhe: os "religiosificados" são da direita, enquanto o resto do mundo é do mal, portanto, passível dos castigos da "ira divina";
2- Tipificação - os "religiosificados" tendem a se aproximar em grupos, lançar gírias e formas de cumprimento que irão destacá-los em meio à multidão. Não importa se isso vai ferir a liberdade de outras pessoas, afinal, se "Deus está com eles, porque a lei dos homens deve ser seguida"?;
3- Combate ao Mal - os fiéis devem aprender, dentro da religião, que converter o maior número possível de pessoas e combater o mal é visto com méritos pelo Senhor, ainda que isso signifique incendiar um terreiro de Umbanda, apedrejar um centro espírita, vandalizar uma igreja, chutar a santa ou destruir qualquer templo evangélico. Tudo é permitido dentro da guerra espiritual que é travada dia-a-dia entre deus e o diabo;
4- Ações efetivas contra o mal - Caso não exista a possibilidade de conversão, o "religiosificado" deve se afastar o máximo possível do convívio daquela pessoa, mesmo que seja seu pai, mãe, irmão, avô, primos. Amigos, então, sem pensar duas vezes.
Basicamente são esses os quatro sintomas da religiosificação. Quando o homem deixa de ser humano par se tornar um religioso, parece que ele, obrigatoriamente, precisa deixar de lado o cérebro. O fanatismo não está longe dos brasileiros, é só ver a reação dos fiéis da renascer ou de qualquer outra religião quando os líderes da mesma são atacados. Mesmo que existam provas inapeláveis, o fiél vai se agarrar inexplicavelmente a um líder corrupto e charlatão, como se isso fosse salvar a sua alma do fogo do inferno.
Claro, estou generalizando, pois acredito que exista uma parcela considerável de religosos que não se deixam "religiosificar". São pessoas que acreditam em Deus, seja qual for a sua face (Deus, Alah, Jeová, Brahma, Vazio, Olorum, Nzambi), seguem seus mandamentos: "amarás ao teu Deus sobre toda as coisas e ao próximo como a ti mesmo" e, principalmente, não esquecem o "telencéfalo altamente desenvolvido" em casa quando saem para fazer seus louvores.
Contudo, a massa de "religiosificados" tende a aumentar cada vez mais, visto que educação, emprego e lazer são substituídos por uma "ida ao templo" e, se depender dos nossos políticos (com uma bancada religiosa cada vez maior), isso não vai mudar tão cedo.
Monday, January 15, 2007
Cure sua vida
Um dos temas mais recorrentes dentro do meio espiritualista, seja ele judaico-cristão ou todas as outras formas de crença, é a cura do corpo. Jesus, para provar sua divindade, curava. Os santos católicos são escolhidos quando se realizam curas fantásticas através da sua intercessão. Dentro das igrejas evangélicas, pastores, obreiros e até mesmo fiéis medem a capacidade da crença apresentando curas fantásticas, com paraplágicos que voltam a andar, cegos que votal a enxergar e toda uma gama de façanhas de dar inveja a qualquer médico mais experiente. Mas de quem é realmente a responsabilidade pela cura corporal? Da religião ou da própria pessoa?
Voltando ao exemplo de Jesus, depois de todas as curas vinha o alerta: tua fé te curou. Buda, centenas de anos antes do mestre do cristianismo, já falava sobre a responsabilidade pessoal de cada um para "acabar com o sofrimento". Contudo, hoje em dia a saúde virou moeda de troca nas principais crenças brasileiras e do mundo. Como são maioria, os cristãos acabam tendo mais visibilidade nesse mercado. Mas umbandistas, espíritas, seguidores de religiões afro ou orientais também se comprometem nesse sentido.
A cura do corpo, seja de uma doença física ou mental, passa em grande parte pela fé do doente. Impossível combater uma patologia se a pessoa não quer ficar boa. E isso serve para a medicina tradicional também: se alguém desistir de viver, nem mesmo Jesus nos seus melhores dias conseguiria curar esse homem ou mulher.
E Jesus deixou isso muito claro quando responsabilizava a fé de cada um pelo milagre operado.
Deixando de lado as picaretagens que existem em qualquer religião, temos de analisar o real sentido da cura, qual a sua importância e porque elas ocorrem com tanta frequência.
Uma cura, principalmente se provada pela ciência, serve como base para provar o poder de Deus, seja qual nome a pessoa quiser utilizar para designá-lo. Como o ser humano tem uma tendência para se alinhar do lado de onde vem o poder, muitos líderes religiosos usam essa artimanha para mostrar como a divindade que eles pregam é poderosa, conseguindo operar "milagres" a quilo.
Quando o líder religioso está mal intencionado, ele pode usar o milagre (operado por Deus em cima da fé e do merecimento do doente) como forma de dominação e até mesmo controle sobre a pessoa: "agora você está devendo ao deus que estou pregando a sua vida, portanto, quero sua obediência".
Por outro lado, quando estamos falando de um verdadeiro líder religioso, aquele que veio para a terra para ajudar a libertar as pessoas dos grilhões religiosos (enquanto instituição), o verdadeiro processo da cura vai ser ressaltado.
A doença pode ser comparada a uma prisão. Quem possui alguma enfermidade grave ou crônica está preso a alopáticos e tratamentos complicados que buscam a sua cura ou, em casos mais graves, manutenção da qualidade de vida. No momento em que o milagre acontece (ressalto de novo: conforme o merecimento de cada um e a vontade do Pai) e a doença acaba, é uma sinalização do divino que:
1- A provação (doença) foi completada, portanto, a pessoa está liberta do mal para seguir com a sua vida adiante;
2- A fé da pessoa, também posta à prova através da patologia, venceu e, como recompensa, o homem ou mulher pode continuar com a sua vida sem esse impecilho;
3 - O karma relacionado com a doença foi consumido e a pessoa aprendeu com a patologia e pode seguir adiante.
Não é a palavra de Deus que cura, nem um padre, pastor, babalorixá ou Dr. Fritz da vida, mas sim o próprio doente. Jesus quase cansou de dizer: "tua fé te curou". E nós temos de colocar isso em prática através de atitudes simples:
1- Não dê mais importância para a doença do que ela merece: muitas pessoas adoram exibir os seus problemas como se fôssem mártires ou santos, que carregam a doença como se fosse a cruz de Jesus. O que o egoísmo dessas pessoas não os deixa enxergar é que isso somente vai afastar seus amigos e deixar seus familiares em uma situação muito desconfortável.
2- Não deixe de viver: essa dica é atrelada à de cima. Não deixe de viver por causa de uma doença, pois isso pode prejudicar a sua situação. A cura em crianças é muito mais fácil justamente porque elas não ficam se lamentando por causa da própria situação. Se não existirem ordens em contrário, caminhe, corra, role na grama, vá até uma praia, uma cachoeira, namore, brinque, enfim, faça tudo aquilo que tiver com vontade;
3- Mude de vida: a doença chega até as pessoas como um alerta para algo que está errado. Fumantes inveterados têm possiblidade maior de ter um câncer de pulmão e doenças cardíacas. Viciados em álcool, problemas renais. Pessoas muito amarguradas e que cultivam o ódio e o rancor também são um prato cheio para o câncer e doenças ocasionais. Todo munto tem defeitos e, em muitos casos, uma patologia é um recado do mundo espiritual para uma mudança na sua visão de vida;
4 - Nunca deixe de amar: se você tem uma doença grave, ame como nunca. Aprenda a amar seus familiares, seus amigos, seus colegas de trabalho, as pessoas nas ruas, a natureza, os animais, a água, o planeta, e, acima de tudo, amar a vida. Ficar se lamentando dentro de um quarto, amargurado com tudo e com todos, não colabora em nada, portanto, assuma seu lado amante;
5- Nunca deixe de sorrir: já notaram como os hospitais são lugares sérios? Só de falar nesses locais o ambiente já fica mais pesado. Deixe isso de lado e sorria, dê gargalhadas, alegre-se. Novamente, a tristeza e o desânimo servem apenas para fragilizar ainda mais o seu organismo. Pelo lado contrário, a alegria e as risadas ajudam a aumentar as suas defesas naturais, facilitando a cura;
6- Nunca deixe de falar: ficar deitado carrancudo em cima de uma cama só serve para irritar enfermeiros, médicos, amigos, familiares e colegas de quarto. Na medida do possível, conheça as pessoas que estão em sua volta. Fale com os médicos, com os enfermeiros. Conte algumas piadas se for o caso e tente tirar o próprio sofrimento da cabeça.
7- Nunca deixe de te fé: a fé move a vida e remove montanhas. Como Jesus ensina, tua fé pode te curar. Na realidade, ela é a única coisa que vai lhe manter vivo e dar uma oportunidade de cura. As pessoas que perderam a fé na vida, que desistiram de viver, não têm nada que as mantenha na carne, ou seja, são um prato cheio para a nossa amiga a dona Morte. Se você é ateu, então tenha fé na ciência. Se for cristão, reze para o Cristo. Não importa qual o tipo de crença praticada, o importante é deixá-la agir dentro do seu corpo, ajudando na cura.
São sugestões básicas e que todo mundo pode por em prática. Muitos podem dizer: "é fácil falar quando não está dentro da situação." No entanto, rebato: ficar chorando pelos cantos ajuda alguma coisa? Eu acho que não. E você?
Thursday, December 14, 2006
Fim de ano
Bom, final de ano está por aí e todo mundo, ou a maioria dele, está entrando no clima dos festejos natalinos e do reveillon. Claro, existem pessoas, e muitas, que não vêem na data motivos para comemoração. Outros, pela própria religião, não celebram o nascimento de Mitra. Quem?!?!? Mitra? Mas não é Jesus o homenageado? Originalmente não, mas, mesmo assim, o significado é o mesmo.
A crença em Mitra começa na Índia, chega na Pérsia e, postariormente, no mundo romano. Na religião védica indiana, Mitra, cujos primeiros relatos vem de 1400 a.C., era o deus que mantinha o equilíbrio entre o bem e o Mal. Ele passa a integrar o panteão Zoroastra Persa como o Deus Solar.
Quando Alexandre, o Grande venceu os exércitos de Dário III, rei da Pérsia, o mundo helenístico adota Mitra em sua mitologia. Mas quem era realmente esse deus que conquistou culturas tão diferentes?
Mitra era o deus do Bem, criador da Luz, em sua eterna luta contra o mal e as trevas. O culto ao deus, conhecido como Mitraísmo, acreditava em uma existência futura absolutamente espiritual e liberta da matéria. Seu símbolo era o touro*, usado em sacrifícios para a divindade.
Mas o que ele tem a ver com o Natal? A celebração do Natal cristão surgiu em paralelo com as solenidades ao deus Mitra, cujo nascimento era comemorado no Solstício (inverno no hemisfério norte e verão no hemisfério sul). No calendário romano, esse evento acontecia exatamente em 25 de dezembro. Os romanos celebravam, na madrugada do dia 24, o "Nascimento do Invicto" como alusão ao alvorecer de um novo sol. Em cidades como Traveris, na Itália, foram encontradas figuras do pequeno Mitra e a semelhança com as representações cristãs do menino Jesus são incontestáveis. E, mais ainda: ele nasceu de uma virgem.
Ainda podemos associar o natal ao Yule, festa Wicca/Celta que retratava o nascimento da Criança-Sol.
Durante a primeira grande expansão cristã, logo após a adesão do imperador Constantino, o catolicismo passa a adotar uma série de símbolos que já eram conhecidos por toda Europa e os adapta à sua crença nascente. A concepção virginal de longe é uma exclusividade dos cristãos: Ganesha, deus indú nascido assexuadamente a partir da poeira de Parvati, esposa de Shiva e o próprio Mitra, filho de Anahira.
Como era mais fácil adotar uma festa pagã já pronta do que idealizar toda uma simbologia para celebrar o Natal, os primeiros cristãos resolveram sincretizar essa festividade, transformando a data em uma celebração genuinamente cristã. Mas o Natal perde a sua validade só porque não é o real nascimento de Jesus, o Cristo?
Não perde. O leitor mais atento já notou que o 25 de dezembro, em todas as religiões aqui citadas, celebra o nascimento de uma figura que simboliza o sol(luz) e combate as trevas. O Jesus cristão, o Mitra zoroastra, a Criança-Sol celta, seja qual for a figura, nos traz um simbolismo muito forte: a vitória da Luz sobre as Trevas.
E como podemos interpretar essa dicotomia?
O Sol é a Luz central que ilumina nosso sistema. Ele sempre simbolizou o que existe de melhor no ser humano, sua sabedoria interna, seus sentimentos de amor ao próximo, de caridade, de perdão e elevação espiritual. A luz solar nos revela o mundo, nos deixa visualizar os caminhos que se abrem à nossa frente, nos acalenta através do seu calor e permite que a vida cresça e se mantenha.
As trevas representam o contrário: a ignorância, o ódio, a raiva, o rancor, a morte. Pergunte para qualquer pessoa na rua como ela imagina a morte em si e, provavelmente, ela vai associar ao frio, à escuridão, ao medo, etc.
O nascimento de Mitra, Jesus ou da Criança-Sol não é algo que tem de ser pensado como externo, como uma concepção material de uma entidade física. Muito pelo contrário.
Quando praticamos um ato de caridade, estamos fazendo nascer dentro de nós o ideal que Jesus cristo nos deixou: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Quando aprendemos a respeita ra vida, em qualquer forma, estamos deixando nascer a simbologia de Mitra: "Uma luz que se acende dentro de nossos corações". Quando trocamos presentes, seja em família ou entre amigos e colegas de trabalho, estamos deixando nascer novamente dentro de nós a Criança-Sol (ou você não se emociona quando ganha uma lembrança?).
E qual época do ano estamos mais propensos à caridade, mundaças e amar ao próximo?
O Natal não é uma data apenas para se trocar presentes, ou se comer até não aguentar mais. Muito pelo contrário, é uma época de reflexão, quando os humanos, encarnados ou desencarnados, recebem as mais elevadas vibrações espirituais vindas dos Espíritos que guiam nossa evolução. Os festejos de natal dão início às celebrações do fim e início de um novo ciclo, onde renascem nossas esperanças em um mundo melhor, mais justo e fraterno.
Nesta época, nem que seja apenas em pensamento, nos obrigamos a refletir sobre os caminhos e descaminhos que a vida nos mostra durante todos os 365 dias do ano. A partir do início de dezembro, quando as ruas e casas começam a se enfeitar para o Natal, uma energia renovada toma conta do nosso Planeta. E é justamente essa energia que vai limpar e harmonizar o astral tão conturbado da terra.
Aproveitem essa data. Mais do que dar e receber presentes materiais, presenteiem todas as pessoas com um sorriso, com um abraço, um carinho. Não se importem se o dinheiro foi curto para comprar algo caro: amor é a palavra dessa época. Ou será que o homenageado principal do natal estava errado quando disse que os principais mandamentos são: "Amai ao teu Deus sobre toda as coisas e ao próximo como a ti mesmo". Jesus, nosso mestre, conseguiu botar isso em prática. E será que você não quer aproveitar essa energia que está no banhando para tentar também?
* A Astrologia prega que passamos por diversas eras, cada uma delas regida por um signo zodiacal. A passagem acontece de trás para frente. A Mitra estava associado ao Touro, signo regente da era. Logo depois, judeus passam ter como símbolo o cordeiro, que simboliza Áries. No entanto, há 2000 anos atrás, o cordeiro "morre" e dá espaço ao Peixe, dentro da era de peixes. Agora, todos falam na Nova Era, de Aquário, que vai renovar as mentalidades do ser humano.
Início
"Mais um" você deve estar pensando. E é realidade: cerca de seis blogs são criados por minuto no mundo e tem até uma consultoria, a Gartner, que prevê que o próximo ano vai ser o pico da criação de blogs.
Bom, vou aproveitar antes para iniciar o meu.
Mas para que criei esse blog? Para conversar e debater sobre a Espiritualidade Moderna. Como já tenho a minha coluna no www.capitalgaucha.com.br, porque não abrir mais espaço na internet para colocar para fora a minha visão sobre o tema?
Como já disse lá desde a primeira coluna, não espero ter a última palavra sobre o tema ou até mesmo a "verdade absoluta". Pretendo apenas mostrar como eu vejo a espiritualidade e de qual maneira a expresso.
Alguns tópicos podem vir a criar polêmica, ainda mais se alguém ler esse blog (o que não garanto... hehehehe). Como incialmente essa ferramenta vai ser um grande monólogo, vou deixar a preocupação com "ardores" para mais tarde.
Chega de papo e apresentações. Bem vindos ao meu blog.
